SOS NATUREZA: Chegou a hora de abraçarmos as árvores

Na década de 1970 houve um grande movimento em defesa da preservação em nossa região. Mulheres e homens corajosos lutaram e ganharam a parada e em plena ditadura militar conseguiram impedir a construção de um aeroporto em Cotia, mais precisamente na Reserva Morro Grande.  Vamos entrar nessa reserva grandiosa e conhecer um pouco sobre mais esse tesouro de nossa Reserva da Biosfera. A Reserva Morro grande ocupa 1/3 do município de Cotia, considerada o pulmão verde de nossa Região, com 10 mil hectares de Mata Atlântica. Abriga também um dos três exemplares da Floresta Negra, formada por cedros e pinheiros centenários, que pela tonalidade escura das folhas e pela densidade de árvores, deixa pouca luz entrar e apresenta trechos de escuridão total. Essa floresta é rara. Só existem três no mundo e é no Brasil que estão duas delas, uma em Gramado-RS e outra aqui na Reserva Morro Grande. A outra, só em Stuttgart na Alemanha. Estamos diante de uma maravilhosa mancha verde produtora de água, que abriga o Sistema Produtor do Alto-Cotia, gerenciado pela SABESP, que fornece água para cerca de 400 mil a 500 mil habitantes da Grande São Paulo. Bem, foi neste santuário que, durante a ditadura militar, o governo tentou instalar um aeroporto. Mas não foi fácil. Naquela época não havia internet, nem redes sociais, mas em vários lugares do mundo as pessoas subiam em árvores para defendê-las. Foi em 1977. As máquinas estavam prontas para iniciar o desmatamento da Reserva logo que amanhecesse. O dia raiando, o cantar das aves em profusão, o azul do assanhaço, o vermelho do tiê, o ronco do bugio, as águas deslizando. Abrindo devagar os olhos, o preguiça começara o seu dia lentamente. Quando amanheceu, chegaram os funcionários para devastar a Floresta, mas ambientalistas deitados em volta das máquinas os detiveram. E eles e elas não iam sair de lá. E não saíram. Até hoje, enferrujadas e abandonadas, jazem as máquinas da empresa Ferreira Guedes. O governo retrocedeu. Buscou uma base aérea para fazer o aeroporto, lá em Cumbica-Guarulhos. A vida é cíclica. Hoje o fantasma de um aeroporto volta a rondar a Reserva Morro Grande além da degradação miúda e mortífera, pelo desmatamento, lixo e queimadas. A vida é cíclica. Talvez tenhamos que abraçar novamente as árvores e deitarmos no chão para proteger a vida.

(*) Meu agradecimento a Francisco Mourão, amigo, ambientalista, com o qual escrevi esse texto a quatro mãos.

 

*por: Adriana Abelhão

 

*foto: https://br.pinterest.com/pin/135248795029732535/

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